Casas noturnas apostam na atração que virou moda nas cidades e atrai público cada vez mais diversificado. Não importa o ritmo, o que vale mesmo é subir no palco e mostrar o talento
Superar a timidez, subir no palco e cantar para uma plateia de curiosos. Este tem sido o ritual de quem procura alguma das mais diferentes opções de karaokê na noite do Rio e de Niterói. Muito além daquelas máquinas com um arranjo musical digitalizado, casas noturnas oferecem acompanhamentos semelhantes aos das músicas originais para servir de base para quem estiver cantando. É o caso do Karaokê Indie, que acontece às quartas-feiras, na Rock ‘n Drinks, em Copacabana. Criada a partir de uma festa realizada na casa do produtor Carlos André Cruz, o Chacal, a brincadeira cresceu e hoje chega até 500 pessoas por noite.
“Tudo começou no Carnaval de 2008, quando fizemos uma festa de karaokê na minha casa. Só podia tocar música alternativa. O resultado foi ótimo e transformamos a festa em um evento mensal. Depois de oito meses, levamos o projeto para uma casa noturna em Botafogo e, em 2009, trouxemos para cá”, explica Chacal.
O produtor conta que no repertório quase não se encontram músicas brasileiras nem outros estilos que não o bom e velho rock ‘n roll, a não ser por uma ou outra versão pop que os frequentadores usam para quebrar o ritmo da noite. Segundo Chacal, não há preconceito contra a música nacional, apenas resolveram investir em um estilo mais alternativo. Mesmo com essas restrições, a Rock ‘n Drinks conta com quase 4 mil músicas para escolha, sendo as mais pedidas, as canções do Bon Jovi, Queen, Metallica e, obviamente, The Beatles.
“Quando a pessoa sobe no palco para cantar, tem a guitarra, a bateria, tudo como se houvesse uma banda ao vivo com ela. Por isso, o pessoal vence a timidez, canta e se sente dando um show de verdade”, completa Chacal, subindo ao palco para cantar “Where did all the love go”, da banda britânica Kasabian.
Versão brasileira
Nem só de rock vivem os karaokês. Na Choperia Brazooka, na Lapa, quinta-feira é dia de sambaokê, onde frequentadores cantam acompanhados pelo trio formado por Marcelo Santana (voz e violão), Rodrigo Sebastian (baixo) e João Sábato (bateria). Em vez de Metallica e Bon Jovi, nomes como o de Maria Rita e Roberta Sá assumem a preferência dos “cantores”.
“As campeãs são ‘Flor de Liz’, ‘Vou Festejar’ e ‘Cabide’. Tem também a ‘Trem das Onze’, que se uma pessoa chega e não sabe cantar nada, a gente já coloca logo para cantar essa”, brinca Marcelo Santana, que comanda o baile.
Inaugurado há um ano, hoje passam pelo palco do sambaokê uma média de 30 a 40 pessoas por edição. Quem assumiu os microfones aprovou a parceria.
“A banda é muito melhor que as tradicionais maquininhas. O show fica mais real”, diz o advogado Rafael Augusto Pinto, logo após cantar “Descobridor dos sete mares”, de Tim Maia.
Ao som de “Burguesinha”, de Seu Jorge, Patrícia Lage e Carolina Santos sobem pela primeira vez ao palco e mostram que karaokê não é lugar de gente tímida.
Em Niterói, um dos pontos mais populares para quem gosta de karaokê é o Píer 31, em Jurujuba. O repertório é bastante eclético: não é de se espantar se um rock inglês preceder um pagode do grupo Molejo, ou uma cover da Madonna ceder lugar a uma canção de Renato Russo.
Em 1998, quando foi fundado pelo empresário Ricardo Amorim, o Píer 31 era um espaço para diferentes tipos de jogos: fliperama, sinuca e videokê. Como a brincadeira com música passou a chamar mais a atenção, o proprietário decidiu investir.
“Aqui não tem distinção de idade, tribos e estilos. Entre as músicas mais pedidas estão as de Fábio Júnior e os sertanejos universitários”, descreve o empresário.
Para a frequentadora da casa, Adriana Pereira Monteiro, o empresário soube investir em uma alternativa de lazer inteligente:
“A gente mesmo faz o show, se diverte e diverte quem está assistindo”, comenta.
O Fluminense